Acerto de Contas com o Passado!

     Em um universo cada vez mais dinâmico e de mudanças constantes, com mais e melhores informações, estamos nós em meio a isso tudo nos pondo a pensar no nosso papel e na nossa existência. Afinal, não pedimos para nascer, mas já que nascemos, como vamos viver?

    Será que o 'Eu' de hoje é melhor, pior ou igual ao 'Eu' de ontem? Vale a pena pensar nessas questões? Parto da velha máxima cantada por Raul Seixas, que diz:

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou"

    Essa passagem é muito boa e serve de mantra para mim hoje em dia, afinal, tenho muita alegria em ver que o Douglas de hoje é um tanto quanto diferente do Douglas de 10 anos atrás em muitas situações.

    O exemplo mais claro dessa mudança e que eu gosto de compartilhar com meus alunos e minhas alunas adolescentes é que, em pleno 2009, em uma aula de psicologia da educação durante a minha graduação, disparei: "Deus fez Adão e Eva, não Adão e Ivo", em meio a discussões sobre sexualidade e tentando confirmar minha posição contrária à causa LGBTQIA+. Falei com a naturalidade e a leveza que esse assunto era para mim, sem nenhum choque ou vergonha de dizer, pois foi assim que eu aprendi.

    Se naquela época isso não me envergonhou, hoje me envergonha. Com o tempo, cresci e aprendi a respeitar todas as pessoas, suas vidas e seus amores sem nenhum preconceito. Hoje, essa fala infeliz e homofóbica serve como exemplo de como nós podemos evoluir e crescer, e do quanto podemos melhorar, sem medo de encarar os erros do passado.

    Por que eu devo pensar do mesmo jeito que pensava há 12 anos? Ter essa mentalidade e não querer mudar, ou justificar dizendo que esse é um "verdadeiro jeito de ser" é muito antiquado e ultrapassado. Se parar para pensar, no passado não existia água encanada nas casas, não existia geladeira, celular, SUS, e garanto que ninguém abriria mão dessas 'novidades' hoje em dia. Então, se é assim, por que manter posicionamentos que hoje são sim errados? (sempre foram, mas em outras épocas eram moralmente aceitos, hoje não mais).



    Encarar o passado, reconhecer e evoluir, sem medo, sem se esconder, mas sendo honesto e transparente. Essa atitude faz você melhorar e melhora o mundo ao seu redor. O meu pensamento homofóbico de 2009 matava e ainda mata muita gente apenas por essas pessoas serem quem são. Eu não posso e não vou compactuar com isso, muito pelo contrário. Eu vou é me juntar àqueles que lutam pelo direito de serem que são e somar forças.

    Enfim, eu renego meu passado homofóbico e preconceituoso. Aquelas atitudes irão me acompanhar sempre só que serão apenas referências da mudança que nós podemos ser. Pabllo Vitar e John Kent não querem nada mais do que conscientizar crianças, jovens, adultos e idosos de que é preciso respeitar o ser de cada ser, e que é preciso considerar justa toda forma de amor.

    Esse passado é uma roupa velha que não me serve mais, que não nos serve mais, então é hora de se desprender, de desapegar e de mudar.

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